sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Organização holandesa investe no turismo na ilha de Moçambique

Trezentos e vinte e quatro milhões de dólares vão ser investidos nos próximos dois anos em projectos turísticos na parte continental do munícipio da ilha de Moçambique, província de Nampula, informou o jornal Notícias, de Maputo.
O jornal adianta que o projecto é da organização holandesa African Riviera, que tem como um dos parceiros a empresa dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, detentora de infra-estruturas naquela região.
No decurso de um encontro sobre harmonização dos projectos de investimento realizado na ilha de Moçambique, Lisa Saint Aubin, ligada à African Riviera, revelou que aquele montante será aplicado na edificação de um hotel flutuante no mar que separa a zona continental do Lumbo e a cidade da Ilha de Moçambique.
Na zona continental do Lumbo, será erguido um hotel de cinco estrelas no local onde funcionou a primeira unidade hoteleira edificada em Moçambique, actualmente em escombros, pertença da empresa Portos e Caminhos de Ferro.
Lisa Saint Aubin revelou ainda que para garantir a formação de parte considerável do pessoal que vai trabalhar no ramo de turismo na zona da Ilha de Moçambique, o projecto da sua organização prevê a construção de um restaurante – escola, vocacionado a formação na área de hotelaria, incluindo agricultura.
Todas as obras incluídas no projecto da African Riviera deverão arrancar definitivamente dentro dos próximos dois anos. De acordo com Lisa Saint Aubin, está em curso a elaboração do estudo de impacto ambiental para posterior entrega ao Governo para aprovação.
A African Riviera está actualmente a construir um complexo hoteleiro na Cabaceira Grande, no distrito de Mossuril, avaliado em 1,6 milhões de dólares.

Grindrod compra acções de empresa portuguesa no porto de Maputo

A empresa sul-africana Grindrod adquiriu os 24,25 por cento de acções que os portugueses da Liscont detinham no terminal de contentores do porto de Maputo, noticiou recentemente o diário "Business Report" de Joanesburgo.

Segundo o jornal, um porta-voz da Grindrod confirmou que a empresa, em parceria com a Dubai Ports World (DPW), assumiu controlo de 36,25 por cento da Portus Indico, a empresa concessionária do terminal contentores do porto de Maputo, sendo incluídos no negócio os 12 por cento que eram detidos pelos suecos da Skanka, ex-sócios dos portugueses num dos portos com maior potencial de crescimento em toda a África.


Embora a Grindrod se tenha escusado a divulgar as verbas envolvidas, o "Business Report" cita a empresa Thomson Financial para referir que a Liscont recebeu 15 milhões de euros pela venda, enquanto os suecos da Skanka venderam os seus 12 por cento por 105 milhões de coroas suecas (11,2 milhões de euros).

A Grindrod e a Dubai Ports World detêm agora 48,5 por cento cada da Portus Indico, sendo os restantes 03 por cento detidos por um investidor moçambicano. A Portus Indico, por seu turno, detém 51 por cento da Maputo Port Development Company (MPDC), que administra a totalidade do porto da capital moçambicana em parceria com a empresa nacional caminhos-de-ferro CFM.
O porto de Maputo manuseava no início da década de 70 (1970) 15 milhões de toneladas de mercadorias/ano, tendo em 2006 atingido a melhor marca desde a independência e subsequente guerra civil, com 6,5 milhões de toneladas.
Os investidores olham com enorme optimismo para o porto de Maputo, já que ele poderá constituir cada vez mais uma alternativa viável para os importadores e exportadores da província economicamente mais forte da África do Sul, Gauteng.
Situada a pouco mais de 500 quilómetros de Gauteng (província que abrange Joanesburgo e Pretória), o porto da capital moçambicana pode ser utilizado de forma crescente pelas empresas sul-africanas uma vez que o maior porto sul-africano e do continente, Durban, mais ou menos à mesma distância, está a atingir a sua capacidade máxima e luta com problemas de expansão devido à falta de espaço já que a cidade estrangulou o porto.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Três mortos por afogamento e 21 mil hectares de culturas destruídas

Três pessoas morreram por afogamento no distrito de Nhamantanda, na província de Sofala, na sequência das cheias que já atingiram 8.000 pessoas e destruíram 21.000 hectares de culturas na zona centro de Moçambique.
O governador de Sofala, Alberto Vaquina, afirmou hoje que duas crianças morreram por afogamento, enquanto um adolescente foi arrastado pelas águas no distrito de Nhamatanda, onde aproximadamente 2.200 famílias foram atingidas pelas inundações e 600 casas destruídas parcial ou totalmente.
Vaquina descreveu a situação como "crítica", pois, disse, várias infra-estruturas estão submersas e há a iminência de, nos próximos dias, as águas do rio Púnguè destruírem algumas vias de acesso que ligam as diferentes regiões da província de Sofala.
No entanto, o governador de Sofala assegurou que diversas comunidades estão a ser transferidas para zonas seguras. Segundo a Rádio Moçambique, cerca de 7.000 pessoas do distrito de Machanga, uma das regiões afectadas pelas chuvas, necessitam de 8.000 toneladas de alimentos devido à destruição de culturas diversas na zona.
Quarta-feira, o director do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), Paulo Zucula, disse que as bacias hidrográficas dos rios Zambeze, Púnguè, Buzi e Save ultrapassaram os níveis de alerta e estimou em 25.000 o número de pessoas que serão afectadas pelas inundações.
Desde o início de Dezembro, mais de uma centena de famílias foram desalojadas após as descargas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa e da queda de chuvas no Zimbabué e Malawi, países vizinhos de Moçambique.
Também quarta-feira, o director do INGC afirmou que os rios de Moçambique "estão acima do nível crítico", acrescentando que, nalguns deles, "há uma situação clara de inundações". Exemplificando, apontou que o nível do rio Save - que nasce no Zimbabué, corre para sul e depois atravessa Moçambique de oeste para leste, desaguando no Oceano Índico - viu o seu caudal subir mais de sete metros, contra os 5,5 metros que são considerados normais.
O rio Buzi também transbordou inundando Govuro e Machanga, na província de Sofala, distritos que ficaram sem comunicação com o resto do país, situação que forçou a retirada da maior parte da população, que se albergou nas escolas e igrejas.
O Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique admitiu hoje a ocorrência de mais chuvas nos próximos dias na zona centro e nos países vizinhos, onde nascem alguns dos rios, cujos caudais já ultrapassaram os níveis considerados de alerta, culminando em cheias no centro do país.
As previsões meteorológicas apontam para a possibilidade de o rio Zambeze também transbordar durante o mês de Janeiro. O director do INGC previu três cenários para os próximos meses: o pior, que poderá atingir um milhão de pessoas em toda a zona centro do país e parte da região sul, o médio, afectando um máximo de 700.000 pessoas, e o ideal, aliás, um cenário que se repete todos os anos, que eventualmente atingirá 50.000 moçambicanos.
Além dos distritos e vilas do centro do país que estão isolados, estima-se que, pelo menos 42.000 pessoas estejam em risco por ainda se encontrarem nas ilhas e nas margens nas províncias da Zambézia, Sofala e Manica.
O INGC pretende que, até ao final deste ano, mais de 30 mil pessoas residentes nas ilhas e nas zonas baixas da região do Vale do Zambeze se instalem definitivamente nos centros de realojamento criados em Janeiro de 2007.
O Governo moçambicano estimou em 20,4 milhões de euros o valor necessário para um plano de emergência destinado a apoiar os afectados pelas cheias e ciclones que se prevê que ocorram entre os meses de Janeiro e Março deste ano.

Cerca de 200 mil jovens nos postos de recenseamento militar

Cerca de 200 mil moçambicanos são chamados a participar, a partir de hoje, no recenseamento militar obrigatório que decorre em Moçambique. O registo dos jovens de ambos os sexos - que completam 18 anos até Dezembro deste ano - será feito nos centros de recrutamento das 11 províncias moçambicanas e nos consulados no estrangeiro e visa proceder à sua integração nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).


A operação será alargada aos cidadãos até aos 35 anos que, por diversos motivos, não se tenham recenseado em ocasiões anteriores. Um comunicado do Ministério da Defesa Nacional de Moçambique indica que o cidadão que não se apresentar ao recenseamento militar no período e locais indicados deverá procurar regularizar a sua situação nos 30 dias subsequentes à data de 28 de Fevereiro.


Na nota adverte-se que caso o cidadão abrangido não se apresente no posto de recenseamento militar e não regularize a sua situação nos prazos referidos será considerado faltoso, ficando sujeito a sanções nos termos da lei.


Em declarações hoje à Lusa, o porta-voz do Ministério da Defesa Nacional de Moçambique, Joaquim Mataruca, explicou que uma das penalizações é o impedimento de se matricular em qualquer estabelecimento de ensino.


Segundo Mataruca, a certidão de censo militar é não só exigido para a matrícula escolar, como para o pedido de passaporte. O actual efectivo do exército de Moçambique atinge os 18 mil homens, depois da maioria das antigas tropas governamentais da FRELIMO e da guerrilha da RENAMO, hoje principal partido da oposição, terem preferido a desmobilização à integração no exército unificado definido no Acordo Geral de Paz, assinado em Roma, em Outubro de 1992.

No âmbito do referido acordo, que pôs termo a 16 aos de guerra civil no país, as FADM deviam ser compostas por 30 mil homens, metade das forças regulares (governamentais) e os outros 15 mil da guerrilha.

O actual modo de ingresso nas FADM continua a dividir a FRELIMO e a RENAMO, com o partido no poder a defender a manutenção do serviço militar obrigatório e a oposição a advogar a inserção voluntária, como primeira etapa para a profissionalização do exército.

Onze pessoas desaparecidas há três dias em naufrágio de pesqueiro

Onze pessoas estão dadas como desaparecidas na sequência do naufrágio do pesqueiro em que seguiam, na madrugada de segunda-feira, ao largo do centro de Moçambique, segundo elementos das equipas de salvamento citados pela imprensa moçambicana.
Os desaparecidos fazem parte do total de 21 pessoas que se encontravam a bordo da embarcação, "Pérola II", que naufragou cerca das 04:00 horas de Maputo (02:00 horas de Lisboa), por razões ainda desconhecidas.
Segundo a imprensa moçambicana, dez foram resgatadas do mar na segunda-feira, logo após o naufrágio. Fontes ligadas à equipa de salvamento, supõem que os 11 desaparecidos estejam fechados em compartimentos da embarcação.
Desconhecem-se ainda as causas do naufrágio, aventando-se a hipótese da embarcação, que provinha da Ilha de Chiloane, uma das mais importantes áreas de pesca no banco de Sofala, tenha embatido num banco de areia.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

FELIZ NATAL E FELIZ DIA DE FAMÍLIA

São os votos d' O Observador e dos seus Colaboradores

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Edição extra - Morreu Nympine Chissano (por Jorge Eurico)

Morreu esta madrugada na vizinha República da África do Sul vítima de ataque cardíaco Nympine Chissano, apurou o OBS junto de fonte familiar. Recorde-se que Nympine Chissano, filho mais velho do então presidente de Moçambique, foi citado em Tribunal como o autor intelectual do assassínio do jornalista Carlos Cardoso. O arguido Momed Abdul Satar «Nini» confessou ter pago ao principal suspeito do assassínio - Aníbal dos Santos Júnior «Anibalzinho» - mais de mil milhões de meticais, a mando do filho mais velho do antigo presidente Joaquim Chissano. Nascido na Tanzânia, durante a guerrilha que a FRELIMO moveu contra o regime colonial português, o primeiro filho de Joaquim e Marcelina Chissano foi baptizado em homenagem a esses tempos, com um nome que na língua changana, a etnia do pai, significa "na guerra". Depois de uma infância normal, o alegado mau feitio de Nympine começou a manifestar-se logo no início da vida adulta, com notícias menos edificantes a seu respeito, como o caso de ter partido uma máquina de escrever numa esquadra da capital, após uma discussão com polícias, devido a um problema de trânsito. O episódio foi divulgado pelo jornal O Metical, altura dirigido e propriedade do jornalista Carlos Cardoso, e terá sido aí que começou a animosidade no relacionamento entre o jornalista e o filho mais velho do então presidente da República.
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NOTA: A edição extra do nº 103, de hoje, foi citada nos órgãos online "Club-K", de Angola, e "Expresso-Online", de Portugal.