domingo, 6 de janeiro de 2008

Professora leva livros infantis a Maputo

O projecto “Ao sabor dos livros”, resultante de uma parceria entre a Universidade dos Açores e a Associação de Portugueses no Estrangeiro, permitiu que fossem entregues a duas bibliotecas de Moçambique 1500 livros infantis.

Dinamizado por Graça Castanho, professora da Universidade dos Açores, o projecto “Ao sabor dos livros” tem como missão criar uma secção de literatura infanto-juvenil na Biblioteca Nacional de Moçambique e na Biblioteca da Universidade Pedagógica, de modo a proporcionar aos mais jovens e professores textos diversificados que ajudem no desenvolvimento de competências, bem como do gosto pela leitura, contribuindo para uma sociedade cada vez mais informada.
A docente especialista em Metodologia do Ensino do Português como língua materna e língua estrangeira deslocou-se a Maputo para participar nas cerimónias de entrega de livros e promover uma acção de formação para docentes universitários e bibliotecários, nas áreas da dinamização da leitura e da escrita para crianças.
Da formação, com 32 participantes, saiu um grupo de trabalho que tem agora a responsabilidade de escrever e ilustrar textos de literatura infanto-juvenil, com temáticas moçambicanas, que serão publicados e distribuídos pelas escolas públicas no próximo ano lectivo.
Durante a realização de um trabalho de investigação efectuado em Moçambique (em 2006), no âmbito do pós-doutoramento realizado na Harvard University (EUA), Graça Castanho concluiu que, em Moçambique, a literatura infanto-juvenil está ausente nas escolas públicas e no lar da quase totalidade das crianças moçambicanas em idade escolar.
Por essa razão, Graça Castanho espera que “o lote de 1500 livros oferecidos à Biblioteca Nacional de Moçambique e à Biblioteca da Universidade Pedagógica proporcionem a estas instituições a implementação de novas dinâmicas de leitura e projectos junto das populações mais jovens, bem como contribuam para a qualidade do ensino, trazendo ao mesmo tempo muitas alegrias e conhecimentos aos seus leitores mais directos: crianças, adolescentes e professores”.Como ressalvou a docente, “com o projecto, não é nossa intenção impor leituras ou promover autores portugueses”.
O espólio oferecido integra traduções de autores estrangeiros, entre contos tradicionais, clássicos, literatura contemporânea, banda desenhada, poesia, textos dramáticos, livros informativos, enciclopédias e dicionários ilustrados. “Queremos que os professores e alunos percebam a importância dos livros nas suas vidas e se motivem para práticas de escrita de textos culturalmente relevantes para as crianças moçambicanas”, adiantou Graça Castanho.
Em Junho, a docente desloca-se de novo a Maputo para acompanhar o projecto no terreno.

Morte de três pessoas por afogamento - Ou Vaquina (não) sabe do que fala ou vive numa Sofala diferente

O Governo provincial de Sofala insistiu hoje que três pessoas morreram por afogamento no centro de Moçambique na sequência das cheias, mas o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) nega ter registo de mortes causadas directamente pelas inundações. Em declarações hoje prestadas, o governador da província de Sofala, Alberto Vaquina, reafirmou que duas crianças morreram por afogamento, enquanto um terceiro jovem foi arrastado pelas águas no distrito de Nhamatanda, quando tentava recuperar seus haveres.
Vaquina admitiu, contudo, a hipótese de “haver problema de notificação” destas mortes da parte do INGC que defende, até ao momento, não ter conhecimento da ocorrência de nenhuma morte directa causada pelas cheias. Mais de 55 mil pessoas foram já atingidas pelas inundações que têm fustigado Moçambique desde Dezembro último em consequência da contínua queda das chuvas nos países vizinhos e descargas periódicas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, no centro do país.
A zona centro do território moçambicano é a que mais sofre os efeitos das cheias, onde mais de 20 mil hectares de culturas são dados como perdidos. As autoridades moçambicanas destacaram hoje uma equipa do executivo central, liderada pelo ministro da Educação e Cultura de Moçambique, Aires Aly, para dar assistência aos governos provinciais das regiões de Moçambique já em alerta vermelho devido às cheias.
A equipa de Aly, que, na qualidade de membro do Conselho Coordenador de Gestão de Calamidades, se deslocou à Nova Mambone, vila de Inhambane, no Sul do país, também afectada pelas cheias que assolam sobretudo o Centro e Norte, pretende igualmente analisar a resposta dada pelas autoridades locais, bem como capacitá-las para ultrapassarem o problema das cheias.
Vaquina visitou, também hoje, uma das três zonas onde se localizam as bacias hidrográficas dos rios que passam pela província de Sofala, tendo constatado que os rios Púnguè, Buzi e Save registaram uma ligeira descida das águas.
Em declarações à Lusa, disse, no entanto, que a bacia do Zambeze é a que continua a registar uma subida do nível das águas, facto que concorre para o agravamento da situação inundações em muitas zonas do centro de Moçambique. “O que nos preocupa é que a montante dos nossos rios está a chover e o rio Zambeze, especialmente nos distritos de Marromeu e Caia, os níveis das águas estão a subir”, apontou.
O Boletim Hidrológico da Administração Nacional de Águas de Moçambique, hoje divulgado, dá conta de que as regiões atingidas poderão continuar submersas nos próximos dias, devido à contínua queda de chuvas nos países vizinhos Zimbabué, Zâmbia e Malaui e às descargas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa.
As autoridades moçambicanas mantêm o alerta vermelho activado quinta-feira e o Centro Nacional Operacional de Emergência (CNOE) accionado para coordenar operações de socorro e retirada compulsiva de populações em risco. O alerta vermelho visa permitir que os parceiros de cooperação revejam os seus planos para a assistência humanitária.
Contudo, as autoridades moçambicanas afastam, para já, a hipótese de lançar um apelo internacional. Alguns administradores distritais das zonas afectadas asseguraram hoje à Lusa que as populações estão a receber mantimentos enquanto aguardam o realojamento das populações às zonas seguras de habitação anteriormente indicadas aquando das cheias de há um ano.
A grande preocupação das autoridades distritais continua, no entanto, a ser a retirada de pessoas das zonas ribeirinhas, consideradas de risco, e a procura de lotes de terrenos para colocar as centenas de crianças que deverão regressar às aulas em breve.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Cheias: Situação tende a piorar, Governo destaca equipa

As autoridades moçambicanas destacaram hoje uma equipa do executivo central para dar assistência aos governos provinciais das regiões de Moçambique já em alerta vermelho devido às cheias que atingiram 55.000 pessoas e tendem a piorar.
A equipa é liderada pelo ministro da Educação e Cultura de Moçambique, Aires Aly, que, na qualidade de membro do Conselho Coordenador de Gestão de Calamidades, se encontra em Nova Mambone, vila de Inhambane, Sul, também afectada pelas cheias que assolam sobretudo o Centro e Norte do país.
A equipa pretende igualmente analisar a resposta dada pelas autoridades locais, bem como capacitá-las para, de "forma sustentável, enfrentar a situação das cheias", disse Aly.
Informações disponíveis até ao momento dão conta de que as regiões atingidas poderão continuar submersas, devido à contínua queda de chuvas no Zimbabué, Zâmbia e Malawi, países vizinhos de Moçambique, e às descargas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, em Tete, centro do país.
Pelo menos 2.500 famílias foram resgatadas das zonas ribeirinhas, consideradas de risco. O governador de Sofala, Alberto Vaquina, afirmou há dias que três pessoas morreram por afogamento, mas um porta-voz do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) já desmentiu a notícia, afirmando que, até ao momento, não se registou nenhuma morte directa em consequência das cheias.
Quinta-feira, o Governo moçambicano activou o alerta vermelho, ainda em vigor, e accionou o Centro Nacional Operacional de Emergência (CNOE) para coordenar operações de socorro e retirada de populações em risco.
O alerta máximo de cheias foi decretado por proposta do INGC, durante uma reunião do Conselho Coordenador de Gestão de Calamidades, que analisou quinta-feira a situação de cheias e inundações da época chuvosa 2007/08.
O CNOE coordenará as operações de socorro e de retirada coordenada e compulsiva das populações em risco ou sitiadas devido às cheias. O ministro da Administração Estatal de Moçambique, Lucas Chomera, que preside àquele órgão, referiu que o alerta vermelho visa permitir que os parceiros de cooperação revejam os seus planos para a assistência humanitária.
Contudo, as autoridades moçambicanas afastam, para já, a hipótese de lançar um apelo internacional.
A situação das cheias na região centro e norte de Moçambique tende a atingir proporções alarmantes, facto que está a forçar as autoridades moçambicanas a reverem o seu plano de contingência.
Dados oficiais divulgados em Maputo indicam que o nível das quatro Bacias Hidrográficas continuará acima do normal devido às chuvas na Zâmbia, Zimbabué e Malawi, regiões de onde vêm grande parte dos principais rios que atravessam Moçambique.
A bacia do rio Save, a sede do distrito de Machanga e a vila de Nova Mambone, no distrito de Govúro, continuam inundadas, enquanto as bacias do Búzi e do Púngoe, ambas na região centro, estão alagadas extensas áreas dos distritos de Dondo e Nhamatanda, tendo já sido cortadas algumas vias de acesso rodoviário.
Em 2007, as cheias em Moçambique provocaram pelo menos 29 mortos e cerca de 60.000 deslocados.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Moçambique e Cabo Verde destacaram papel de Portugal

Os embaixadores de Cabo Verde e de Moçambique em Lisboa destacaram hoje a importância de Portugal na formação dos seus quadros durante uma cerimónia de boas-vindas, na Universidade Lusófona, a 40 bolseiros cabo-verdianos e moçambicanos. "Portugal tem tido um papel muito importante. São gerações e gerações de quadros cabo-verdianos que se têm formado nas universidades portuguesas", disse o embaixador de Cabo Verde, Arnaldo Ramos.
De acordo com o diplomata, a cooperação com as universidades portuguesas "é um factor importante na caminhada que Cabo Verde tem feito para o desenvolvimento e que se reflecte na recente graduação das Nações Unidas".
Desde 1 de Janeiro, Cabo Verde deixou de fazer parte do grupo dos Países Menos Avançados (PMA), a que pertencia desde 1977, para passar a ser um País de Desenvolvimento Médio. "Esta graduação desmente o 'afro-pessimismo', que considerava que África não teria hipóteses de desenvolvimento e estava condenada ao fracasso", sublinhou Arnaldo Ramos.
Por seu lado, o embaixador de Moçambique em Lisboa, Miguel Mkaima, destacou à Lusa que Portugal é um "elemento fundamental" na formação de quadros moçambicanos, nomeadamente pela facilidade da língua. Disse ainda que, no âmbito "deste mundo global, as universidades moçambicanas aproximam-se cada vez mais das universidades europeias, americanas e asiáticas".
A Universidade Lusófona deu hoje as boas-vindas aos 40 bolseiros moçambicanos e cabo-verdianos que escolheram Portugal para prosseguir os seus estudos. Bruno Moreira, cabo-verdiano, é um desses bolseiros e chegou a Lisboa com o sonho de tirar o curso de Engenharia Biotecnológica e de ajudar no desenvolvimento do seu país. "Para mim foi um factor predominante para o meu sucesso (vir estudar para Portugal) e espero que outros alunos cabo-verdianos tenham a mesma hipótese que eu", disse o estudante. "O conselho que deixo para alunos cabo-verdianos, da CPLP e dos PALOP, é que se esforcem para que possam ter uma oportunidade destas", acrescentou.
Também a moçambicana Lúcia Capitine, que vai estudar Psicologia, se mostrou muito satisfeita com a oportunidade de estudar em Portugal e, à semelhança da grande maioria dos bolseiros, não hesitou em dizer que o objectivo é regressar a Moçambique para ajudar no seu desenvolvimento.
Turismo, Arquitectura, Engenharia Informática, Engenharia Civil, Ciências Políticas, Comunicação, Marketing e Publicidade, Engenharia Biotecnológica, Psicologia e Contabilidade e Auditoria são os cursos que os 40 bolseiros vão tirar na Universidade Lusófona.

Cheias: Governo lança alerta vermelho para região centro do País

O Governo moçambicano activou o alerta vermelho devido às cheias no centro do País, que afectaram já 55.000 pessoas, e accionou o Centro Nacional Operacional de Emergência para coordenar operações de socorro e retirada de populações em risco.
O porta-voz do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), Bonifácio António, admitiu que a situação de cheias no centro de Moçambique vai piorar nos próximos dias, devido às descargas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa e às chuvas nos países vizinhos, embora adiantando que poderá haver um período de estabilidade.
O alerta máximo de cheias foi decretado por proposta do INGC, durante uma reunião do Conselho Coordenador de Gestão de Calamidades, que analisou quinta-feira a situação de cheias e inundações da época chuvosa 2007/08.
O Centro Nacional Operacional de Emergência coordenará as operações de socorro e de retirada coordenada e compulsiva das populações em risco ou sitiadas devido às cheias. O ministro da Administração Estatal de Moçambique, Lucas Chomera, que preside àquele órgão, referiu que o alerta vermelho visa permitir que os parceiros de cooperação revejam os seus planos para a assistência humanitária. Contudo, as autoridades moçambicanas afastam para já a hipótese de lançar um apelo internacional.
O ministro da Administração Estatal indicou que a capacidade interna em meios humanos está já a ser usada na totalidade, situação que está a forçar as autoridades moçambicanas a reverem o seu plano de contingência. "Estamos, neste ano, a registar uma situação anormal em relação ao comportamento chuvoso. Nunca tivemos uma situação de, neste período do ano, termos quase todos os grandes rios que atravessam o país a transbordarem", disse Lucas Chomera. "Os solos já estavam saturados e as chuvas vieram complicar a situação e tudo indica que teremos ainda grandes problemas", admitiu.
Segundo dados oficiais divulgados em Maputo, a situação nas quatro Bacias Hidrográficas continua acima do normal devido às chuvas na Zâmbia, Zimbabué e Malaui, regiões de onde vem grande parte dos principais rios que atravessam Moçambique. "Neste momento os rios Save, Búzi, Púngue e Zambeze, apresentam níveis hidrométricos acima do nível crítico em quase todas as estações de observação", anunciou o INGC em comunicado.
Na bacia do Save estão inundadas a sede do distrito de Machanga e a vila de Nova Mambone, no distrito de Govúro, enquanto na bacia do Búzi está inundada a vila do Búzi e na bacia do Púngue, todas na região centro, estão alagadas extensas áreas dos distritos de Dondo e Nhamatanda, ameaçando cortar vias de acesso.
Na bacia do Zambeze as inundações atingem algumas áreas dos distritos de Mutarara, Marromeu, Caia, Chinde e Mopeia. Em consequência das inundações nestas bacias, mais de 55.000 pessoas foram afectadas, das quais cerca de 13 mil estão nos centros de reassentamento e as restantes encontram-se temporariamente abrigadas em escolas ou outras instituições públicas.

Fundação Carr vai continuar a apoiar Parque da Gorongosa

A fundação norte-americana Carr comprometeu-se em aplicar 30 milhões de dólares nos próximos dez anos no Parque Nacional da Gorongosa, afirmou à agencia noticiosa moçambicana AIM o ministro do Turismo, Fernando Sumbana.
Esse dinheiro, continuou o ministro, será aplicado na renovação da fauna do parque, na construção de três acampamentos para turistas, dois dos quais de luxo, e na formação dos guardas florestais e do restante pessoal.
Sumbana disse ainda que desde 2005 a Fundação Carr já aplicou seis milhões de dólares, que "foram usados na criação das condições básicas de funcionamento do parque", tais como o desenvolvimento de infra-estruturas básicas. O ministro adiantou que o Governo já identificou um parceiro para gerir o parque e impedir a sua degradaçao. E sublinhou que a Gorongosa tem características "muito especiais", como não menos de 54 eco-sistemas, incluíndo o lago Urema, o rio Pungué, o planalto Cheringoma e a própria zona montanhosa Gorongosa.
A previsão governamental é que a partir do quinto ano após a sua recuperação, o Parque Nacional da Gorongosa comece a receber 500 mil turistas por ano proporcionando receitas de 75 milhoes de dólares, tendo por base uma permanência média de três dias e um custo diário de 50 dólares.
O parque da Gorongosa, que foi praticamente destruído durante a Guerra Civil, foi encerrado em 1982 e mesmo após o final da Guerra Civil era uma zona de actuação dos caçadores furtivos tendo, apenas em 1995, o Governo começado a reestabelecer a sua autoridade sobre o parque.

Organização holandesa investe no turismo na ilha de Moçambique

Trezentos e vinte e quatro milhões de dólares vão ser investidos nos próximos dois anos em projectos turísticos na parte continental do munícipio da ilha de Moçambique, província de Nampula, informou o jornal Notícias, de Maputo.
O jornal adianta que o projecto é da organização holandesa African Riviera, que tem como um dos parceiros a empresa dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, detentora de infra-estruturas naquela região.
No decurso de um encontro sobre harmonização dos projectos de investimento realizado na ilha de Moçambique, Lisa Saint Aubin, ligada à African Riviera, revelou que aquele montante será aplicado na edificação de um hotel flutuante no mar que separa a zona continental do Lumbo e a cidade da Ilha de Moçambique.
Na zona continental do Lumbo, será erguido um hotel de cinco estrelas no local onde funcionou a primeira unidade hoteleira edificada em Moçambique, actualmente em escombros, pertença da empresa Portos e Caminhos de Ferro.
Lisa Saint Aubin revelou ainda que para garantir a formação de parte considerável do pessoal que vai trabalhar no ramo de turismo na zona da Ilha de Moçambique, o projecto da sua organização prevê a construção de um restaurante – escola, vocacionado a formação na área de hotelaria, incluindo agricultura.
Todas as obras incluídas no projecto da African Riviera deverão arrancar definitivamente dentro dos próximos dois anos. De acordo com Lisa Saint Aubin, está em curso a elaboração do estudo de impacto ambiental para posterior entrega ao Governo para aprovação.
A African Riviera está actualmente a construir um complexo hoteleiro na Cabaceira Grande, no distrito de Mossuril, avaliado em 1,6 milhões de dólares.