segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Prevêem-se as piores cheias de sempre em Moçambique

Moçambique poderá registar este ano as piores cheias de que há memória, devido às chuvas contínuas nos países vizinhos e descargas de 6.000 metros cúbicos por segundo da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), admitiram hoje as autoridades moçambicanas.

Desde o princípio da noite de domingo, a HCB aumentou as suas descargas de 5.100 para 6.000 metros cúbicos por segundo, enquanto o Zimbabué, Malaui e a Zâmbia continuam a ser fustigadas por chuvas torrenciais, cujas águas são encaminhadas para rios moçambicanos.

Os principais afluentes dos rios Luenha, Revúbuè e Chire, no baixo do Vale do Zambeze, centro de Moçambique, já estão com níveis muito elevados, o que concorrerá para o agravamento da situação das cheias no país.

Segundo estimativas da Administração Regional de Águas (ARA-Zambeze), a região centro de Moçambique deverá atingir, ao longo desta semana, a fase mais crítica das inundações, que poderão ser mais graves do que as registadas em 2000, consideradas as piores na história do país.

Em 2000, as cheias no sul de Moçambique provocaram 640 mortos e afectaram 2 milhões de pessoas, das quais 500 mil ficaram desalojadas.
A directora da ARA-Zambeze, Cacilda Machava, descreveu hoje à Lusa como «crítica» a situação que se vive naquela região, mas assegurou que as autoridades estão a fazer a devida monitorização.

«Isto está a trazer alguma complicação no baixo do Zambeze. A situação está crítica», referiu, frisando, contudo, que as autoridades estão a acompanhar a situação e a apelar para que a população abandone as zonas de risco.
«Estamos a monitorar a situação, mas não podemos avançar muitas coisas porque estamos a trabalhar com base em previsões. O ano hidrológico indica que, até Março, haja chuvas acima do normal, com tendência para normal», disse.
O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) previu, anteriormente, a ocorrência de três cenários para os próximos meses: o pior, que poderá atingir um milhão de pessoas em toda a zona centro do país e parte da região sul, o médio, afectando um máximo de 700 mil pessoas, e o ideal, aliás, um cenário que se repete todos os anos, que eventualmente atingirá 50 mil moçambicanos.
O Governo moçambicano estimou, por isso, em 20,4 milhões de euros o valor necessário para um plano de emergência para acudir os afectados pelas cheias e ciclones que poderão ocorrer entre os meses de Janeiro e Março deste ano.

O INGC pretende que, até 15 de Janeiro, sejam retiradas todas as pessoas que se encontram nas zonas de risco, tendo, para o efeito, intensificado operações de busca e salvamento com embarcações, e prevê mobilizar meios aéreos para resgate da população do vale do Zambeze.

«Até ao momento, mais de 300 pessoas foram resgatadas, mas outras cinco mil pessoas continuam em risco de vida nas cinco zonas da foz do Zambeze», frisou o INGC em comunicado enviado à Agência Lusa.

O Boletim Hidrológico prevê que, proximamente, os níveis hidrométricos no Baixo Zambeze continuem a baixar ligeiramente, enquanto em Zumbo e Aruângua, os níveis tendem a aumentar, devido a chuvas a montante.

Dados preliminares hoje divulgados pelo INGC indicam que «nas bacias do Búzi e Save, prevê-se a continuação da redução significativa do volume de escoamentos, resultando na melhoria da situação hidrológica nas vilas de Búzi, Nova Mambone e Machanga, respectivamente».

No rio Púnguè, em Mafambisse, província de Sofala, centro, «o nível hidrométrico manter-se-á alto, mas com tendência a baixar», contudo, a «situação hidrológica das restantes bacias hidrográficas continuará estável», acrescenta num comunicado enviado à Lusa.

O director do INGC, Paulo Zucula, reconheceu ao jornal Notícias de Maputo que em alguns distritos afectados pelas cheias as operações de resgate estão a ser dificultadas pelo facto de os respectivos governos distritais não terem elaborado os planos de evacuação.

Zucula admitiu que há pessoas que ainda estão cercadas de água nas zonas de difícil acesso.
«Há situações em que não se conseguem identificar as pessoas sitiadas e nos próximos quatro a cinco dias vamos entrar na fase mais crítica no Zambeze, tendo já começado a entrar muita água», afirmou.

A organização não-governamental britânica Oxfam Internacional alertou hoje para o registo de «uma crise de saúde pública generalizada» e enviou uma equipa de emergência para as zonas atingidas pelas inundações para avaliar as necessidades humanitárias das 55 mil pessoas afectadas pela subida do nível das águas.

«Quando se gera uma inundação, a falta de água e saneamento atinge níveis críticos em apenas alguns dias, ou mesmo horas. Com a continuação da subida do nível das águas, o acesso a estes bens será cada vez mais difícil, o que pode originar uma crise de saúde pública generalizada», alertou em comunicado o coordenador de água e saneamento da Oxfam Internacional em Moçambique, Hugo Oosterkamp.

«Como especialista em água e saneamento, a prioridade da Oxfam Internacional será acudir aos centros de evacuação onde as pessoas procuram refúgio. Nestas circunstâncias deve responder-se de imediato à ameaça de diarreia, malária e cólera», acrescentou.
Fonte:Diário Digital

PIB cresceu 7,5 por vento no terceiro trimestre de 2007

O produto interno bruto (PIB) de Moçambique registou um crescimento de 7,5 por cento no terceiro trimestre de 2007, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), citados pelo jornal Notícias, de Maputo.
O crescimento do PIB derivou do desempenho dos sectores de construção (54,1 por cento), serviços financeiros (21,6), administração pública (16,5), transportes e comunicações (12,9) e agricultura (9,9 por cento).
Ainda de acordo com o INE, o Índice de Preços no Consumidor da cidade de Maputo, indicador oficial da inflação em Moçambique, cresceu em 1,88 por cento em Novembro, o que contribuiu para que a inflação anual se situasse até ao momento em 9,51 por cento, após 9,04 por cento no mês anterior (Outubro).
O comportamento dos preços dos bens alimentares foi determinante para a inflação mensal, com destaque para a contribuição dos preços do pão (0,36 pontos percentuais), carapau (0,33), tomate (0,25), e frango vivo (0,17), coco (0,1). Do grupo dos bens não-alimentares, o aumento do preço do petróleo de iluminação contribui em 0,06 pontos percentuais.

Algodão de primeira qualidade proporcionou receitas de 387 milhões de meticais

Os produtores de algodão de Moçambique ganharam 386,9 milhões de meticais (cerca de 16,1 milhões de dólares) com a venda de algodão de primeira qualidade em 2007, informou sábado em Maputo o Instituto do Algodão.De acordo com o instituto, o algodão de primeira qualidade representa cerca de 80 por cento da colheita vendida em Moçambique.
O instituto indicou ainda que o preço mínimo foi de 5,3 meticais (22 cêntimos do dólar) embora alguns dos produtores, organizados em associações, tenham conseguido um prémio de 7 a 13 por cento nas suas negociações com as empresas compradoras.
O Instituto do Algodão informou também que a exportação de 27 mil toneladas deverá ter rendido 27 milhões de dólares, havendo mais 19.673 toneladas de algodão que deverão ser exportadas no primeiro trimestre deste ano.

Receitas fiscais ultrapassaram previsão para 2007

As receitas fiscais arrecadadas em 2007 ultrapassaram a previsão de 33,3 mil milhões de meticais, afirmou recentemente em Maputo o presidente da Autoridade Tributária de Moçambique, Rosário Fernandes.
Citado pela Rádio Moçambique, Rosário Fernandes afirmou que o resultado alcançado constitui algo inesperado, uma vez que a previsão de 33,3 mil milhões de meticais supera em mais de 18 por cento o volume de receitas fiscais alcançado em 2006.
No decurso da cerimónia de celebração do primeiro aniversário da Autoridade Tributária de Moçambique, o seu presidente apontou o crescimento das receitas derivadas das taxas dos serviços prestados, o aumento da receita proveniente da taxa liberatória das zonas francas e do Imposto de Rendimento sobre as Pessoas Colectivas como alguns dos factores que contribuíram para a superação das receitas cobradas em 2007.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Professora leva livros infantis a Maputo

O projecto “Ao sabor dos livros”, resultante de uma parceria entre a Universidade dos Açores e a Associação de Portugueses no Estrangeiro, permitiu que fossem entregues a duas bibliotecas de Moçambique 1500 livros infantis.

Dinamizado por Graça Castanho, professora da Universidade dos Açores, o projecto “Ao sabor dos livros” tem como missão criar uma secção de literatura infanto-juvenil na Biblioteca Nacional de Moçambique e na Biblioteca da Universidade Pedagógica, de modo a proporcionar aos mais jovens e professores textos diversificados que ajudem no desenvolvimento de competências, bem como do gosto pela leitura, contribuindo para uma sociedade cada vez mais informada.
A docente especialista em Metodologia do Ensino do Português como língua materna e língua estrangeira deslocou-se a Maputo para participar nas cerimónias de entrega de livros e promover uma acção de formação para docentes universitários e bibliotecários, nas áreas da dinamização da leitura e da escrita para crianças.
Da formação, com 32 participantes, saiu um grupo de trabalho que tem agora a responsabilidade de escrever e ilustrar textos de literatura infanto-juvenil, com temáticas moçambicanas, que serão publicados e distribuídos pelas escolas públicas no próximo ano lectivo.
Durante a realização de um trabalho de investigação efectuado em Moçambique (em 2006), no âmbito do pós-doutoramento realizado na Harvard University (EUA), Graça Castanho concluiu que, em Moçambique, a literatura infanto-juvenil está ausente nas escolas públicas e no lar da quase totalidade das crianças moçambicanas em idade escolar.
Por essa razão, Graça Castanho espera que “o lote de 1500 livros oferecidos à Biblioteca Nacional de Moçambique e à Biblioteca da Universidade Pedagógica proporcionem a estas instituições a implementação de novas dinâmicas de leitura e projectos junto das populações mais jovens, bem como contribuam para a qualidade do ensino, trazendo ao mesmo tempo muitas alegrias e conhecimentos aos seus leitores mais directos: crianças, adolescentes e professores”.Como ressalvou a docente, “com o projecto, não é nossa intenção impor leituras ou promover autores portugueses”.
O espólio oferecido integra traduções de autores estrangeiros, entre contos tradicionais, clássicos, literatura contemporânea, banda desenhada, poesia, textos dramáticos, livros informativos, enciclopédias e dicionários ilustrados. “Queremos que os professores e alunos percebam a importância dos livros nas suas vidas e se motivem para práticas de escrita de textos culturalmente relevantes para as crianças moçambicanas”, adiantou Graça Castanho.
Em Junho, a docente desloca-se de novo a Maputo para acompanhar o projecto no terreno.

Morte de três pessoas por afogamento - Ou Vaquina (não) sabe do que fala ou vive numa Sofala diferente

O Governo provincial de Sofala insistiu hoje que três pessoas morreram por afogamento no centro de Moçambique na sequência das cheias, mas o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) nega ter registo de mortes causadas directamente pelas inundações. Em declarações hoje prestadas, o governador da província de Sofala, Alberto Vaquina, reafirmou que duas crianças morreram por afogamento, enquanto um terceiro jovem foi arrastado pelas águas no distrito de Nhamatanda, quando tentava recuperar seus haveres.
Vaquina admitiu, contudo, a hipótese de “haver problema de notificação” destas mortes da parte do INGC que defende, até ao momento, não ter conhecimento da ocorrência de nenhuma morte directa causada pelas cheias. Mais de 55 mil pessoas foram já atingidas pelas inundações que têm fustigado Moçambique desde Dezembro último em consequência da contínua queda das chuvas nos países vizinhos e descargas periódicas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, no centro do país.
A zona centro do território moçambicano é a que mais sofre os efeitos das cheias, onde mais de 20 mil hectares de culturas são dados como perdidos. As autoridades moçambicanas destacaram hoje uma equipa do executivo central, liderada pelo ministro da Educação e Cultura de Moçambique, Aires Aly, para dar assistência aos governos provinciais das regiões de Moçambique já em alerta vermelho devido às cheias.
A equipa de Aly, que, na qualidade de membro do Conselho Coordenador de Gestão de Calamidades, se deslocou à Nova Mambone, vila de Inhambane, no Sul do país, também afectada pelas cheias que assolam sobretudo o Centro e Norte, pretende igualmente analisar a resposta dada pelas autoridades locais, bem como capacitá-las para ultrapassarem o problema das cheias.
Vaquina visitou, também hoje, uma das três zonas onde se localizam as bacias hidrográficas dos rios que passam pela província de Sofala, tendo constatado que os rios Púnguè, Buzi e Save registaram uma ligeira descida das águas.
Em declarações à Lusa, disse, no entanto, que a bacia do Zambeze é a que continua a registar uma subida do nível das águas, facto que concorre para o agravamento da situação inundações em muitas zonas do centro de Moçambique. “O que nos preocupa é que a montante dos nossos rios está a chover e o rio Zambeze, especialmente nos distritos de Marromeu e Caia, os níveis das águas estão a subir”, apontou.
O Boletim Hidrológico da Administração Nacional de Águas de Moçambique, hoje divulgado, dá conta de que as regiões atingidas poderão continuar submersas nos próximos dias, devido à contínua queda de chuvas nos países vizinhos Zimbabué, Zâmbia e Malaui e às descargas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa.
As autoridades moçambicanas mantêm o alerta vermelho activado quinta-feira e o Centro Nacional Operacional de Emergência (CNOE) accionado para coordenar operações de socorro e retirada compulsiva de populações em risco. O alerta vermelho visa permitir que os parceiros de cooperação revejam os seus planos para a assistência humanitária.
Contudo, as autoridades moçambicanas afastam, para já, a hipótese de lançar um apelo internacional. Alguns administradores distritais das zonas afectadas asseguraram hoje à Lusa que as populações estão a receber mantimentos enquanto aguardam o realojamento das populações às zonas seguras de habitação anteriormente indicadas aquando das cheias de há um ano.
A grande preocupação das autoridades distritais continua, no entanto, a ser a retirada de pessoas das zonas ribeirinhas, consideradas de risco, e a procura de lotes de terrenos para colocar as centenas de crianças que deverão regressar às aulas em breve.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Cheias: Situação tende a piorar, Governo destaca equipa

As autoridades moçambicanas destacaram hoje uma equipa do executivo central para dar assistência aos governos provinciais das regiões de Moçambique já em alerta vermelho devido às cheias que atingiram 55.000 pessoas e tendem a piorar.
A equipa é liderada pelo ministro da Educação e Cultura de Moçambique, Aires Aly, que, na qualidade de membro do Conselho Coordenador de Gestão de Calamidades, se encontra em Nova Mambone, vila de Inhambane, Sul, também afectada pelas cheias que assolam sobretudo o Centro e Norte do país.
A equipa pretende igualmente analisar a resposta dada pelas autoridades locais, bem como capacitá-las para, de "forma sustentável, enfrentar a situação das cheias", disse Aly.
Informações disponíveis até ao momento dão conta de que as regiões atingidas poderão continuar submersas, devido à contínua queda de chuvas no Zimbabué, Zâmbia e Malawi, países vizinhos de Moçambique, e às descargas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, em Tete, centro do país.
Pelo menos 2.500 famílias foram resgatadas das zonas ribeirinhas, consideradas de risco. O governador de Sofala, Alberto Vaquina, afirmou há dias que três pessoas morreram por afogamento, mas um porta-voz do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) já desmentiu a notícia, afirmando que, até ao momento, não se registou nenhuma morte directa em consequência das cheias.
Quinta-feira, o Governo moçambicano activou o alerta vermelho, ainda em vigor, e accionou o Centro Nacional Operacional de Emergência (CNOE) para coordenar operações de socorro e retirada de populações em risco.
O alerta máximo de cheias foi decretado por proposta do INGC, durante uma reunião do Conselho Coordenador de Gestão de Calamidades, que analisou quinta-feira a situação de cheias e inundações da época chuvosa 2007/08.
O CNOE coordenará as operações de socorro e de retirada coordenada e compulsiva das populações em risco ou sitiadas devido às cheias. O ministro da Administração Estatal de Moçambique, Lucas Chomera, que preside àquele órgão, referiu que o alerta vermelho visa permitir que os parceiros de cooperação revejam os seus planos para a assistência humanitária.
Contudo, as autoridades moçambicanas afastam, para já, a hipótese de lançar um apelo internacional.
A situação das cheias na região centro e norte de Moçambique tende a atingir proporções alarmantes, facto que está a forçar as autoridades moçambicanas a reverem o seu plano de contingência.
Dados oficiais divulgados em Maputo indicam que o nível das quatro Bacias Hidrográficas continuará acima do normal devido às chuvas na Zâmbia, Zimbabué e Malawi, regiões de onde vêm grande parte dos principais rios que atravessam Moçambique.
A bacia do rio Save, a sede do distrito de Machanga e a vila de Nova Mambone, no distrito de Govúro, continuam inundadas, enquanto as bacias do Búzi e do Púngoe, ambas na região centro, estão alagadas extensas áreas dos distritos de Dondo e Nhamatanda, tendo já sido cortadas algumas vias de acesso rodoviário.
Em 2007, as cheias em Moçambique provocaram pelo menos 29 mortos e cerca de 60.000 deslocados.