quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Instabilidade no Quénia transforma Moçambique em destino turístico mais apetecido de África

Moçambique é apontado como o próximo grande destino turístico de África, sobretudo quando a instabilidade no Quénia pode afectar as visitas a este país. A recuperação económica do País está finalmente a permitir aos turistas apreciarem os seus activos naturais: 1500 milhas de orla costeira tropical, águas quentes e azuis onde se destacam arquipélagos paradisíacos, como Bazaruto ou a ilha de Moçambique, património mundial da UNESCO e o parque natural da Gorongosa, em plena recuperação.

Subida das águas ameaça condicionar obras de ponte sobre o Zambeze

O agravamento previsto das cheias no centro de Moçambique ameaça condicionar as obras de construção da ponte sobre o rio Zambeze, a cargo do consórcio português Mota-Engil/ Soares da Costa, disse ontem o responsável pela empreitada.
De acordo com Nuno Henriques, as obras decorrem já com "algumas limitações" dado que o caudal do rio Zambeze tem subido gradualmente nos últimos dias, submergindo as terras mais baixas da região.
Há um ano, a subida das águas do Zambeze obrigou à paralisação das obras e chegou mesmo a ameaçar a submersão do próprio estaleiro de quatro hectares (cerca de quatro campos de futebol), protegido por um dique de terra com cerca de três metros de altura.
As cheias que afectaram então o Vale do Zambeze foram as piores desde 2001. "As obras recomeçaram segunda-feira e ainda não pararam, mas estão a decorrer com algumas limitações. Estamos com cheias que podem ser piores que as do ano passado, já que prevêem uma nova subida das águas do rio para os próximos dias", disse o engenheiro português.
Num balanço divulgado terça-feira, o Governo moçambicano anunciou que as cheias deste ano no centro do país - onde foi decretado o alerta vermelho - já provocaram três mortos, 41 mil deslocados e 17.800 hectares de culturas perdidas, mas descartou para já a possibilidade de Maputo lançar um apelo internacional de ajuda.
O estaleiro das obras da ponte sobre o Zambeze, que ligará Caia (província de Sofala) e Chimuara (Zambézia), com 2,5 quilómetros de comprimento e 16 metros de largura, dista cerca de quatro quilómetros das águas do rio.
O percurso entre o estaleiro e o ancoradouro de Caia, que assegura a travessia em batelões do trânsito automóvel, faz-se ainda sem constrangimentos, mas o cenário poderá mudar nos próximos dias, caso se confirmem as previsões de subida das águas do Zambeze. "A água está a 50 centímetros de chegar à estrada", relatou Nuno Henriques, referido que a travessia do rio "já se faz com alguma dificuldade" dado o aumento da corrente.
Tal como em 2007, a preocupação dos responsáveis pela construção da ponte sobre o Zambeze, a obra mais emblemática em curso em Moçambique, que permitirá ligar o Norte e o Sul do país por estrada, centra-se agora nas descargas efectuadas pela barragem de Cahora Bassa, que provocam a subida acelerada do caudal do rio.
Apesar de na zona de Caia não chover "há vários dias", de acordo com o engenheiro português, as chuvas que têm caído nos países vizinhos, nomeadamente a Zâmbia e o Malauí, têm provocado o aumento do caudal de alguns dos principais afluentes do Zambeze, obrigando a aberturas sucessivas das comportas da barragem de Cahora Bassa.
Há um ano, elevadas descargas efectuadas pela barragem afectaram 285 mil pessoas, 107 mil das quais foram transferidas para centros de acomodação temporários montados em locais elevados ao longo do Vale do Zambeze.
A situação levou então as autoridades moçambicanas a colocar a zona abrangida pelo curso do rio - desde Zumbo, na fronteira com o Zimbabué, até Marromeu, distrito onde o rio desagua no Oceano Índico - em alerta vermelho e a aconselharem as populações a deslocarem-se para zonas mais elevadas.
Desde o princípio da noite de domingo, a barragem de Cahora Bassa aumentou as suas descargas de 5.100 para 6.000 metros cúbicos por segundo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Mau tempo provoca deslocados e destrói África Austral

As chuvas inusitadas que têm assolado Moçambique nos últimos dias estão também a afectar outros países vizinhos, sobretudo a Zâmbia e Zimbabué, onde provocam milhares de deslocados e destroem as fracas colheitas.
Apesar de as inundações serem frequentes na região da África Austral, com maior incidência na bacia do rio Zambeze, este ano a época das chuvas começou mais cedo, afectando fortemente Moçambique, Zâmbia e Zimbabué, mas também o Malawi e Madagáscar.
Segundo as previsões meteorológicas para os próximos cinco dias, a chuva vai continuar a cair com intensidade na maioria dos países da África Austral, à excepção da África do Sul, Lesoto e Namíbia, onde o céu estará, paradoxalmente, limpo.
As imagens por satélite disponibilizadas pela BBC e pela CNN mostram uma "nuvem negra" sobre toda a região centro da África Austral, que se prolonga desde a costa atlântica africana até Madagáscar.
Segundo a UNICEF, em Moçambique, que está em alerta máximo de cheias desde a semana passada, as inundações no centro do país já afectaram cerca de 56 mil pessoas, das quais 13 mil estão desalojadas, estando já em curso acções de ajuda para fazer face à situação.
Normalmente, as chuvas torrenciais só assolam Moçambique e os países vizinhos a partir de meados de Fevereiro, mas a água que tem caído desde o final do ano passado já fez transbordar os rios Zambeze, Púnguè, Buzi e Save, no centro do país.
Segundo a Administração Regional de Águas (ARA-Zambeze), a região centro de Moçambique deverá atingir, ao longo desta semana, a fase mais crítica das inundações, situação que irá agravar também mais países da África Austral.
No Zimbabué, em particular no Norte, as fortes chuvas já provocaram mais de 3.000 desalojados e afectaram outros 5.000 habitantes, residentes nas zonas ao longo da fronteira com Moçambique, no sudeste do país.
Na Zâmbia, o cenário é menos dramático, embora as cheias provocadas pelas chuvas torrenciais tenham afectado entre 500 a 800 pessoas em diversas regiões do sul, levando as autoridades de Lusaca a decretar o alerta vermelho em 34 dos 72 distritos do país. "A nossa preocupação está centrada na resposta de emergência para fazer face às chuvas torrenciais, que este ano chegaram mais cedo", afirmou Kelly David, director do Gabinete para a Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas para a África Austral.
Em 2007, estima-se que 285.000 pessoas foram afectadas pelas cheias ao longo do vale do rio Zambeze. Nesse ano, à medida que os níveis crescentes das águas causados pelas chuvas torrenciais inundava as áreas baixas, cerca de 100.000 pessoas encontraram abrigo nos centros temporários de acomodação.
Em 2000, as cheias no sul de Moçambique provocaram 640 mortos e afectaram dois milhões de pessoas, das quais 500 mil ficaram desalojadas.

Moçambique, meca de safaris e mergulho

Moçambique, que já tinha sido apontado pela “Lonely Planet” como um dos destinos promissores para este ano, é agora o nº 1 do ranking elaborado pelo site www.concierge.com, associado da Condé Nast Traveler’s, que destaca que em 15 anos o país passou de uma guerra civil a meca dos safaris e mergulho, bem como a sua “capital vibrante”.

St. Lucia, Montenegro, Equador, Sicília, San Diego (EUA), ilha de Hainan (China), Oman, Puerto Escondido e a costa de Oaxacan (México) e Paris são os outros destinos que o concierge.com elegeu para o seu “The 2008 It List”, um Top10 de viagens “imperdíveis” para este ano.
Os dez destinos incluídos na lista têm alguns denominadores comuns, designadamente “uma nova colheita de hotéis”, “preservação e protecção dos seus atractivos naturais” e um carisma com “substância que chega para fazer com que a viagem valha a pena” — destaca o www.concierge.
O editor em chefe do site, Peter J. Frank, destaca ainda, na apresentação da “It List”, que os destinos incluídos na edição deste ano passaram por transformações e dá precisamente como exemplo Moçambique.
O país, que há 15 anos vivia “uma sangrenta guerra civil”, “desabrochou numa meca dos safaris e mergulho, com uma capital vibrante”.
A evolução da Sicília para um “hot spot” da gastronomia e destino de moda em hotéis boutique e, até Paris, com a ênfase na arte e design contemporâneos” são outros exemplos apontados de destinos que estão a atravessar grandes transformações, enquanto Oman e a ilha de Hainan são indicados como novidades.
Em Moçambique o www.concierge.com destaca as 1.500 milhas de costa e arquipélagos “maravilhosos” no Índico, “soberbos” para mergulho e com praias “voluptuosas”, a segurança e dinamismo de Maputo, designadamente a sua “cena” de afro-jazz e a vida nocturna, os parques nacionais que progressivamente estão a recuperar a vida selvagem para os níveis pré-guerra.
O texto aponta também alguns resorts no arquipélago das Quirimbas, um safari no parque da Gorongosa, o Hotel Polana em Maputo, como boa base para explorar o passado e presente da capital, os bares portugueses com “fantástica música ao vivo”.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

ONU prevê agravamento de situação humanitária e promete apoios

ONU prevê agravamento situação humanitária e promete apoiosAs Nações Unidas prevêem um agravamento da situação humanitária nas regiões afectadas pelas cheias em Moçambique, Zâmbia e Zimbabué, e afirma que está a tomar medidas em conjunto com os governos dos países afectados para enfrentar a situação.
"Os governos e as organizações humanitárias internacionais estão a intensificar os seus esforços para garantir uma resposta rápida e salvar vidas" nas regiões afectadas pelas cheias, afirmou hoje John Holmes, sub-secretário da ONU Coordenador para os Assuntos Humanitários e da Ajuda de Emergência.
"Muitos dos afectados estão ainda a lutar para recuperar das cheias e ciclones do ano passado. Por esta razão, e tendo em vista a longa época das chuvas que se aproxima, as necessidades humanitárias na região deverão aumentar nas próximas semanas. Temos de continuar a apoiar os governos a responder ao impacto destes desastres naturais", afirma Holmes, em comunicado hoje divulgado pela ONU em Nova Iorque.
A ONU lembra os números já esta manhã divulgados pela UNICEF, que apontam para perto de 56 mil pessoas afectadas, das quais 13 mil das desalojadas, devido às cheias no centro de Moçambique. Em Moçambique, as maiores subidas no nível das águas registam-se nos rios Zambeze, Púnguè, Buzi e Save, no centro do país.
A situação já levou o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Moçambique a declarar o nível máximo de alerta no centro do país, estando no terreno a UNICEF, a Cruz Vermelha e diversas outras organizações não-governamentais. "A comunidade humanitária está pronta a apoiar o governo na resposta em curso", afirmou também o coordenador residente da ONU em Moçambique, Ndolamb Ngokwey.
"Nos passados meses, temos estado a trabalhar de perto com as autoridades nacionais para pôr em marcha planos de contingência que assegurem que as necessidades dos afectados pelas cheias são providas de forma expedita", refere o mesmo responsável na mesma nota divulgada pelos serviços de informação da ONU.
Chris McIvor, director da ONG britância Save the Children alertou hoje para a insegurança alimentar que se vive em diversas zonas - nomeadamente nos distritos de Mopeia e Morrumbala, Província da Zambézia - afirmando que "as pessoas afectadas vão continuar vulneráveis até à próxima colheita em Março-Abril".
A UNICEF afirma ter já deslocado especialistas para o terreno, que actualmente se encontram na província de Sofala e nos próximos dias irão a Tete e Manica. A missão destes especialistas é "identificar as necessidades mais urgentes das crianças e das suas famílias" nas zonas afectadas, em termos de alimentação, segurança, saúde, higiene e educação, segundo o comunicado hoje divulgado.
Além disso, está a ser preparada a distribuição de auxílio de emergência, nomeadamente cantis de água potável e equipamento de purificação de água, material de higiene e saneamento, redes mosquiteiras de longa duração, tendas e materiais educacionais em grandes quantidades. Segundo a Administração Regional de Águas (ARA-Zambeze), a região centro de Moçambique deverá atingir, ao longo desta semana, a fase mais crítica das inundações e o INGC anunciou hoje, em comunicado, que "até ao momento, mais de 300 pessoas foram resgatadas, mas outras cinco mil pessoas continuam em risco de vida nas cinco zonas da foz do Zambeze".
Numa altura de subida dos níveis das águas dos principais rios do centro do país, desde o princípio da noite de domingo a HCB aumentou as suas descargas de 5.100 para 6.000 metros cúbicos por segundo, enquanto o Zimbabué, Malaui e a Zâmbia continuam a ser fustigadas por chuvas torrenciais, cujas águas são encaminhadas para rios moçambicanos.
Em 2000, as cheias no Sul de Moçambique provocaram 640 mortos e afectaram dois milhões de pessoas, das quais 500 mil ficaram desalojadas.

Exportações de carvão através do Porto da Matola caíram um terço em 2007

As exportações de carvão no porto moçambicano da Matola diminuiram mais de um terço em 2007, devido à concorrência do terminal sul-africano de Richards Bay, mas deverão recuperar este ano, anunciou a Grindrod, empresa gestora da infra-estrutura.
De acordo com dados hoje divulgados pelo grupo sul-africano de navegação e logística, as exportações de carvão no porto dos arredores de Maputo baixaram de 1,1 milhões de toneladas em 2006 para 724 mil toneladas no ano passado, menos 34 por cento. "O mercado começou a contrair-se ao mesmo tempo que Richards Bay aumentou de capacidade" de processamento de carvão, refere a empresa em nota hoje divulgada, em que também são apontadas como causa do declínio as tarifas de 14 por cento praticadas pela transportadora ferroviária sul-africana Transnet.
Este ano, a expectativa da Grindrod é duplicar o volume de carvão processado, para 1,5 milhões de toneladas, devido à melhoria das condições de transporte ferroviário e de manuseamento da matéria-prima na Matola.
Na semana passada, a Grindrod anunciou uma parceria com o grupo internacional Dubai Ports World (DPW), que inclui colaboração no porto da Matola. Grindrod e DPW controlam cada um 48,5 por cento da Portus Indico, empresa que gere a infra-estrutura da Matola, cabendo os restantes 3 por cento a um accionista moçambicano.

Cheias afectam 56 mil pessoas

Treze mil foram desalojadas pelas cheias no centro do país, anunciou hoje a UNICEF. "As cheias atingiram algumas das comunidades mais pobres e vulneráveis, portanto a nossa principal prioridade é melhorar as condições de vida das pessoas que foram deslocadas - metade das quais são crianças", afirma Leila Pakkala, chefe da delegação moçambicana do Fundo das Nações Unidas para as Crianças (UNICEF, na sigla em língua inglesa), em comunicado hoje divulgado em Maputo.
Leila Pakkala adianta que a situação, que já levou o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e Moçambique a declarar o nível máximo de alerta no centro do país, está a ser acompanhada de perto pela UNICEF, em conjunto com a Cruz Vermelha e outras organizações não-governamentais. As maiores subidas no nível das águas registam-se nos rios Zambeze, Púnguè, Buzi e Save, no centro do país.
A UNICEF afirma ter já deslocado especialistas para o terreno, que actualmente se encontram na província de Sofala e nos próximos dias irão a Tete e Manica. A missão destes especialistas é "identificar as necessidades mais urgentes das crianças e das suas famílias" nas zonas afectadas, segundo o comunicado hoje divulgado. Além disso, está a ser preparada a distribuição de auxílio de emergência, nomeadamente cantis de água potável e equipamento de purificação de água, material de higiene e saneamento, redes mosquiteiras de longa duração, tendas e materiais educacionais em grandes quantidades.
Desde o princípio da noite de domingo, a HCB aumentou as suas descargas de 5.100 para 6.000 metros cúbicos por segundo, enquanto o Zimbabué, Malaui e a Zâmbia continuam a ser fustigadas por chuvas torrenciais, cujas águas são encaminhadas para rios moçambicanos. Segundo a Administração Regional de Águas (ARA-Zambeze), a região centro de Moçambique deverá atingir, ao longo desta semana, a fase mais crítica das inundações e o INGC anunciou hoje, em comunicado, que "até ao momento, mais de 300 pessoas foram resgatadas, mas outras cinco mil pessoas continuam em risco de vida nas cinco zonas da foz do Zambeze".
A directora da ARA-Zambeze, Cacilda Machava, descreveu hoje à Lusa como "crítica" a situação que se vive naquela região, mas assegurou que as autoridades estão a fazer a devida monitorização. O Governo moçambicano estimou em 20,4 milhões de euros o valor necessário para um plano de emergência para acudir os afectados pelas cheias e ciclones que poderão ocorrer entre os meses de Janeiro e Março deste ano.
No seu comunicado, a UNICEF recorda que as "cheias localizadas são comuns em Moçambique durante a estação chuvosa na África Austral, de Novembro a Março". "No ano passado, um número estimado de 285.000 pessoas foram afectadas pelas cheias ao longo do vale do rio Zambeze.
À medida que os níveis crescentes das águas causados pelas chuvas torrenciais inundava as áreas baixas, cerca de 100.000 pessoas encontraram abrigo nos centros temporários de acomodação", acrescenta. Em 2000, as cheias no sul de Moçambique provocaram 640 mortos e afectaram 2 milhões de pessoas, das quais 500 mil ficaram desalojadas.