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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Cheias afectam 56 mil pessoas

Treze mil foram desalojadas pelas cheias no centro do país, anunciou hoje a UNICEF. "As cheias atingiram algumas das comunidades mais pobres e vulneráveis, portanto a nossa principal prioridade é melhorar as condições de vida das pessoas que foram deslocadas - metade das quais são crianças", afirma Leila Pakkala, chefe da delegação moçambicana do Fundo das Nações Unidas para as Crianças (UNICEF, na sigla em língua inglesa), em comunicado hoje divulgado em Maputo.
Leila Pakkala adianta que a situação, que já levou o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e Moçambique a declarar o nível máximo de alerta no centro do país, está a ser acompanhada de perto pela UNICEF, em conjunto com a Cruz Vermelha e outras organizações não-governamentais. As maiores subidas no nível das águas registam-se nos rios Zambeze, Púnguè, Buzi e Save, no centro do país.
A UNICEF afirma ter já deslocado especialistas para o terreno, que actualmente se encontram na província de Sofala e nos próximos dias irão a Tete e Manica. A missão destes especialistas é "identificar as necessidades mais urgentes das crianças e das suas famílias" nas zonas afectadas, segundo o comunicado hoje divulgado. Além disso, está a ser preparada a distribuição de auxílio de emergência, nomeadamente cantis de água potável e equipamento de purificação de água, material de higiene e saneamento, redes mosquiteiras de longa duração, tendas e materiais educacionais em grandes quantidades.
Desde o princípio da noite de domingo, a HCB aumentou as suas descargas de 5.100 para 6.000 metros cúbicos por segundo, enquanto o Zimbabué, Malaui e a Zâmbia continuam a ser fustigadas por chuvas torrenciais, cujas águas são encaminhadas para rios moçambicanos. Segundo a Administração Regional de Águas (ARA-Zambeze), a região centro de Moçambique deverá atingir, ao longo desta semana, a fase mais crítica das inundações e o INGC anunciou hoje, em comunicado, que "até ao momento, mais de 300 pessoas foram resgatadas, mas outras cinco mil pessoas continuam em risco de vida nas cinco zonas da foz do Zambeze".
A directora da ARA-Zambeze, Cacilda Machava, descreveu hoje à Lusa como "crítica" a situação que se vive naquela região, mas assegurou que as autoridades estão a fazer a devida monitorização. O Governo moçambicano estimou em 20,4 milhões de euros o valor necessário para um plano de emergência para acudir os afectados pelas cheias e ciclones que poderão ocorrer entre os meses de Janeiro e Março deste ano.
No seu comunicado, a UNICEF recorda que as "cheias localizadas são comuns em Moçambique durante a estação chuvosa na África Austral, de Novembro a Março". "No ano passado, um número estimado de 285.000 pessoas foram afectadas pelas cheias ao longo do vale do rio Zambeze.
À medida que os níveis crescentes das águas causados pelas chuvas torrenciais inundava as áreas baixas, cerca de 100.000 pessoas encontraram abrigo nos centros temporários de acomodação", acrescenta. Em 2000, as cheias no sul de Moçambique provocaram 640 mortos e afectaram 2 milhões de pessoas, das quais 500 mil ficaram desalojadas.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Morte de três pessoas por afogamento - Ou Vaquina (não) sabe do que fala ou vive numa Sofala diferente

O Governo provincial de Sofala insistiu hoje que três pessoas morreram por afogamento no centro de Moçambique na sequência das cheias, mas o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) nega ter registo de mortes causadas directamente pelas inundações. Em declarações hoje prestadas, o governador da província de Sofala, Alberto Vaquina, reafirmou que duas crianças morreram por afogamento, enquanto um terceiro jovem foi arrastado pelas águas no distrito de Nhamatanda, quando tentava recuperar seus haveres.
Vaquina admitiu, contudo, a hipótese de “haver problema de notificação” destas mortes da parte do INGC que defende, até ao momento, não ter conhecimento da ocorrência de nenhuma morte directa causada pelas cheias. Mais de 55 mil pessoas foram já atingidas pelas inundações que têm fustigado Moçambique desde Dezembro último em consequência da contínua queda das chuvas nos países vizinhos e descargas periódicas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, no centro do país.
A zona centro do território moçambicano é a que mais sofre os efeitos das cheias, onde mais de 20 mil hectares de culturas são dados como perdidos. As autoridades moçambicanas destacaram hoje uma equipa do executivo central, liderada pelo ministro da Educação e Cultura de Moçambique, Aires Aly, para dar assistência aos governos provinciais das regiões de Moçambique já em alerta vermelho devido às cheias.
A equipa de Aly, que, na qualidade de membro do Conselho Coordenador de Gestão de Calamidades, se deslocou à Nova Mambone, vila de Inhambane, no Sul do país, também afectada pelas cheias que assolam sobretudo o Centro e Norte, pretende igualmente analisar a resposta dada pelas autoridades locais, bem como capacitá-las para ultrapassarem o problema das cheias.
Vaquina visitou, também hoje, uma das três zonas onde se localizam as bacias hidrográficas dos rios que passam pela província de Sofala, tendo constatado que os rios Púnguè, Buzi e Save registaram uma ligeira descida das águas.
Em declarações à Lusa, disse, no entanto, que a bacia do Zambeze é a que continua a registar uma subida do nível das águas, facto que concorre para o agravamento da situação inundações em muitas zonas do centro de Moçambique. “O que nos preocupa é que a montante dos nossos rios está a chover e o rio Zambeze, especialmente nos distritos de Marromeu e Caia, os níveis das águas estão a subir”, apontou.
O Boletim Hidrológico da Administração Nacional de Águas de Moçambique, hoje divulgado, dá conta de que as regiões atingidas poderão continuar submersas nos próximos dias, devido à contínua queda de chuvas nos países vizinhos Zimbabué, Zâmbia e Malaui e às descargas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa.
As autoridades moçambicanas mantêm o alerta vermelho activado quinta-feira e o Centro Nacional Operacional de Emergência (CNOE) accionado para coordenar operações de socorro e retirada compulsiva de populações em risco. O alerta vermelho visa permitir que os parceiros de cooperação revejam os seus planos para a assistência humanitária.
Contudo, as autoridades moçambicanas afastam, para já, a hipótese de lançar um apelo internacional. Alguns administradores distritais das zonas afectadas asseguraram hoje à Lusa que as populações estão a receber mantimentos enquanto aguardam o realojamento das populações às zonas seguras de habitação anteriormente indicadas aquando das cheias de há um ano.
A grande preocupação das autoridades distritais continua, no entanto, a ser a retirada de pessoas das zonas ribeirinhas, consideradas de risco, e a procura de lotes de terrenos para colocar as centenas de crianças que deverão regressar às aulas em breve.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

ACIS investe forte (e feio) em Sofala

As empresas filiadas na Associação Industrial e Comercial de Sofala (ACIS) tem um investimento global de mais de um bilhão de dólares empregando actualmente mais de 27 mil pessoas. Esta informação foi revelada ao OBS por Graeme White, presidente da Associação Industrial e Comercial de Sofala, à margem do lançamento do livro sobre o “Quadro Legal e Constituição de Sociedades Comerciais em Moçambique” e um outro sobre o “Quadro legal de emprego em Moçambique”