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terça-feira, 4 de março de 2008

Alguns destaques da edição 168, de 4/Mar/2008

Advogados podem ser jornalistas? – Sim! Jornalistas podem ser advogados? – Não! (por Orlando Castro)
- Chegam às Redacções e não tardam a entrevistar o primeiro-ministro

SER jornalista está, pelo menos em Portugal( Moçambique e os demais PALOP não fogem à regra), na moda. Pouco importa que o mercado não tenha capacidade para absorver todos aqueles que, por vontade própria ou pela conta bancária do pai, querem experimentar a profissão. É complicado dizer isto porque, desde logo, grande parte dos professores(?) de jornalismo(?) são jornalistas(?).

Angola está preparada para ficar sem o MPLA e Eduardo dos Santos (por Jorge Eurico)
Não é, nem nunca foi, costume meu dar muita atenção ou retomar comentários feitos aos meus escritos. Mas, como tudo na vida, há excepções à regra. Ou seja, vezes há que não posso deixar de ver (com olhos de ver, pois claro!) determinadas análises, ainda que sob a conveniente capa da cobardia que a muitos convém. Disso é exemplo a análise a que se segue, feita à crónica, publicado no meu blogue Arauto, com o título “Só os que vivem nas copas das árvores aceitam ficar impávidos e (+ ou -) serenos”, e que, pela sua pertinência e importância, vale a pena ler e reflectir sobre o conteúdo da mesma. Eis, já a seguir, o referido comentário: De facto este assunto é deveras pertinente.

Rede de Teatro Comunitário faz intervenção social em prol do desenvolvimento
De acordo com o último balanço das autoridades moçambicanas, são o público alvo de peças preparadas por grupos de actores voluntários da Rede Moçambicana de Teatro Comunitário (RETEC) e que chamam a atenção para princípios básicos de higiene de forma a prevenir doenças como a cólera ou a malária.

ANGOLA: Soma e segue trama contra WT
Estimado (Jorge) Eurico e demais amigos, Não vou responder, mas reenviar um texto que recebi de um canoa sobre este email. Eles querem o bate-boca, mas não vou embarcar nessa onda. O resto das calúnias do ressuscitado jornal “O Independente” é a barra do Tribunal a cuidar. Um abraço do William Tonet: “Caro amigos, Se duvidas ainda existiam sobre a natureza torpe e ignóbil dessa gentalha da segurança do regime, aqui está mais uma prova. Não se responde a cobardes, que escondem as unhas de lobo, quando vestidos com pele de cordeiro. Todos conhecem o WT e sabem que ele seria capaz de assumir, qualquer enfermidade, caso a tivesse. O que está em jogo é uma campanha suja para o fazer mudar de convicções e desistir das suas denúncias. Não deve desistir, pois campanhas desta já são por demais conhecidas, pois no passado, já foi conotado como agente da CIA, savimbista, lacaio do imperialismo, etc.

ESPANHA: Madrid mantém disponibilidade para mediar com FARC
O Governo espanhol considerou ontem que o conflito entre a Colômbia, Equador e Venezuela, criado na sequência de uma incursão de tropas colombianas em território equatoriano, é uma questão que concerne aos países afectados.

Incursão aérea dos EUA mata seis e fere 20 na Somália
Um bombardeamento realizado na noite de domingo pela aviação dos EUA em Dobley (Sul da Somália) deixou pelo menos seis mortos e mais de 20 feridos, informaram ontem fontes do Governo de transição somali.

África do Sul decide sacrificar elefantes por conta do excesso de animais
A África do Sul suspendeu a proibição do sacrifício de elefantes, prática proibida durante 13 anos. Segundo afirmaram autoridades do país, o impedimento permitiu que a população dos animais duplicasse, o que estaria a prejudicar o ambiente.

Estas e outras notícias podem ser lidas na íntegra, em PDF, solicitando via e-mail ao lado

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Angola-Querem decapital a Imprensa livre

Os espadachins do regime, quiçá tendo em atenção as eleições que serão realizadas em Setembro próximo, já começaram a desembainhar as suas espadas e a esgrimi-las contra (tudo e) todos aqueles que lutam para manter acesa a chama da liberdade e consolidar a democracia (in)existente na Pátria de Agostinho Neto.
Enquanto uns lutam (são muito poucos) para manter acesa a chama da liberdade e consolidar a democracia (in)existente em Angola, outros (não são poucos) esfolam mãos e joelhos para apagar a chama da liberdade, desconstruir a democracia (in)existente e pensar demorada e denodadamente como estragar a vida dos amantes das Liberdades de Expressão e de Imprensa.
A atestar isso está a recente prisão ilegal de Graça Campos, jornalista e director do Semanário Angolense, em decorrência de um processo-crime instaurado por um papalvo que se deixou usar pelo regime, e a chamada, quinta-feira última, de William Tonet, jornalista e director do bissemanário Folha 8, ao quinto andar da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), em virtude de uma queixa-crime apresentada por Hélder Vieira Dias Júnior (Kopelipa), futuro ex-chefe da Casa Militar da Presidência da República, José Maria, chefe da Contra Inteligência Militar, e Hélder Pita Gróz, director da Policia Judiciária Militar.
Fiquei a saber, por exemplo, que o hebdomadário “O Independente”, que já tinha sido “morto” e “enterrado”, acabou de “ressuscitar”. O jornal ressurgiu para fazer acusações graves a William Tonet. Diz o jornal que Tonet acaparou-se de quatro milhões de dólares que o Comando Geral da Polícia havia disponibilizado para que a empresa do jornalista construísse uns tantos jangos na ilha do Mussulo. Escreve o semanário que Tonet tem usado tal dinheiro para tratar-se, no Brasil, dos vírus do VIH/Sida, de que é portador há mais de cinco anos.
Vamos por partes. Hélder Vieira Dias (Kopelipa), José Maria e Hélder Pita Gróz estão no seu Direito de processar William Tonet, mas tenho a certeza absoluta que esta não era (é) a vontade destes generais. A verdadeira vontade destes homens de mão de José Eduardo dos Santos (estão a semear vento, meus senhores...) é a de enfiar um tiro bem rosto do director do Folha8. E porquê que eles fariam isso? Porque sei que Kopelipa, Zé Maria e Pita Gróz são homens que já mostraram, por palavras, actos e omissões, uma manifesta e inapta capacidade para lidar com valores como Democracia, Tolerância Política, Liberdade de Imprensa, de Expressão e são contra o exercício aberto e plural da cidadania.
Sei que a estes três homens apetece dar um tiro a William Tonet por ele ser um jornalista que chama as coisas pelos próprios nomes e enfrenta de peito aberto os maus ventos e as péssimas marés que vão tendo lugar em Angola. Apetece-lhes tirar a vida do director do Folha 8 pelo facto de William Tonet não ser um homem de meter o rabinho entre as pernas quando sopra uma brisa ou quando as ondas estão mais altas. Mesmo quando ameaçado física, moral e mortalmente como agora.

Ataques a William Tonet revelam toda podridão do mau Estado angolano

Como contra factos não há argumentos, as rajadas disparadas contra do director do jornal Folha 8 saíram pela culatra. O Independente, um jornal estrategicamente renascido das cinzas em Angola, ligado a Fernando Manuel, outrora membro da DISA (a polícia do Estado), hoje SINFO e ex-vice-ministro da Segurança do Estado, reaparece como um instrumento de desacreditação da imprensa privada que se atreva a não tocar pelo mesmo diapasão que o do regime. Ou não estivessem as eleições aí ao dobrar da esquina
Por Orlando Castro (*)
A prova-lo é a notícia da sua primeira edição, depois de ressurgido, sobre o director do jornal angolano, este sim independente, Folha 8. A notícia tem como título “William Tonet envolvido em burlas, corrupção e mais… Folha 8 lança-se ao cabritismo a troco de silenciar intrigas e difamação.” A notícia com a qual se abre o referido jornal, mais do que informar é um ataque pernicioso e pessoal ao director e proprietário de um dos jornais de referência da imprensa independente angolana. Talvez o que mais se insurge contra o regime antidemocrático e absolutista do presidente José Eduardo dos Santos.
William Tonet é acusado de, no desrespeito da deontologia profissional, se fazer passar por mero advogado no julgamento do General Miala, considerando-o “um bajulador de consciências a troco de alguns dólares que visavam tão-somente a absolvição dos réus e comprometer a justiça em Angola”. Todavia, a absolvição de um réu cuja inocência é manifesta deveria orgulhar a magistratura de Angola e não a comprometer.
Num Estado de Direito, mais vale uma justiça que tarda do que uma que não aparece. De seguida, o mesmo jornal refere que o director do jornal Folha 8 terá burlado o então comandante-geral da Polícia Nacional, Alfredo Ekuikui, tendo recebido deste importantes somas de dinheiro para executar obras no centro de órfãos no Nzonge (localidade do Guenge/Kikuxe), sem que cumprisse “a troco de silenciar intrigas e difamação que envolviam o próprio comandante-geral na época.
O mesmo comandante teria oferecido, ainda, “uma viatura de Toyota Land-Cruiser VX GXR, que se destinava a um dos seus comandantes provinciais, cujo nome a nossa fonte não revelou”. O mesmo jornal continua, dizendo que na mesma altura, William Tonet “conseguiu manipular o comandante, ludibriando tudo e todos, e foi-lhe entregue, de igual modo, um valor avaliado em 4.000.000.00 de dólares, que se destinava a construção da pousada da Polícia Nacional na localidade do Mussulo, município da Samba”. No entanto, não apresenta nenhuma prova, nem documental nem de qualquer outra natureza, muito menos é conhecida qualquer queixa apresentada por incumprimento contratual ou burla.
O jornal Independente vai mais longe ao afirmar que “com esse dinheiro, segundo pessoas próximas do visado, o mesmo efectuou uma viagem à República Federativa do Brasil, com vista a prosseguir com o tratamento do VIH/SIDA de que padece há mais de cinco anos e perspectiva a implantação naquele país da América do Sul, a criação de um jornal on-line que tem como principal objectivo denegrir a postura e os esforços do executivo angolano, com maior incidência no período eleitoral aprazado para a primeira semana do mês de Setembro de 2008”. Para cumprir com o macabro desiderato, William Tonet, “conta com uma equipa de jornalistas nacionais e estrangeiros que no presente momento têm redigido os principais artigos detractores à política governamental do País”.
A criação do jornal on-line é uma intenção de William Tonet que nunca foi “segredo de Estado” embora, mais uma vez, haja especulação. Não é no Brasil… é em Portugal e em Angola mesmo: o Folha 8 on-line! Quanto ao ser portador de tal doença, o panfletário texto do referido jornal vem juntar-se ao rol de outros tantos no mesmo sentido, porém tem a particularidade de ser mais ameno em relação a outros boatos que apontavam ser Tonet seropositivo há 20 anos. Agente da CIA, agente do Savimbismo, rebelde da UNITA, filho de Holden Roberto e cérebro da FNLA, instigador do PRS, partido da Lunda –Norte (terra natal do seu pai), agente do imperialismo internacional, etc.
Todavia a verdade é que nunca conseguiram provar, mesmo quando várias vezes William Tonet foi operado em Angola, a última no ano passado, a seropositividade, nas análises solicitadas e com a rede espalhada nos serviços hospitalares não seria fácil o regime ter provas. Como as não tem, passa para este método baixo e torpe de denegrir. Mas mesmo que tivesse esse problema de saúde, a verdade é que isso não o habilita menos, quer moral, quer jornalisticamente a denunciar as barbáries do regime de Luanda. Perante a impossibilidade de desmentirem as informações que o F8 veicula, logo a calúnia é o último reduto dos algozes do Futungo.
A terminar, o semanário tido como Independente, vem ainda afirmar, de acordo com uma das suas fontes que, o jornalista “terá proposto ao general Kopelipa, Chefe da Casa Militar da Presidência da República e director do GRN, por intermédio de um emissário, para a lavagem da sua imagem, valores extremamente exorbitantes na ordem dos 100.000 dólares anuais, facto que esta figura militar rejeitou categoricamente, ponderando inclusive a denúncia pública do facto”. Facto é que testemunhos quer do general, quer do suposto intermediário ou qualquer processo pelos factos afirmados, deles nunca se ouviu falar nem nunca por ninguém foram vistos. Além de que, convenhamos…, a imagem do general Kopelipa precisa de muito mais do que 8.300.00 dólares/mês para ser limpa. E se isso fosse verdade, por alma de quem o general, que vem sendo denunciado pelo F8, pela forma como desbarata o erário público e extrapola as sua competências, não aproveitaria a oportunidade de denunciar o homem que lhe quer extorquir dinheiro? Mas esta menção deixa uma certeza, está o general Kopelipa e os seus cães de caça por detrás da carta anónima enviada a William Tonet, nas últimas semanas.
Se na política não há coincidência, como acreditar que numa semana sai a carta e na outra ressurge das cinzas um jornal da Segurança de Estado, todo impresso a cores, para atacar William, Samakuva da UNITA, Miala e apresentar Kopelipa e Kwata Kanawa, secretário de Informação do MPLA, como os bons da fita? Para esse semanário, detido pelo desconhecido comercial Damer Group Luanda, parido das entranhas da Segurança de Estado, com o estranho registo MCS – 2222-A-2000, cujos jornalistas são tão desconhecidos quanto a sua direcção, William Tonet é um “frustrado e um difamador que, usando da prerrogativa que o jornalismo confere, transformou-se num autêntico mercenário a serviço de forças ocultas”.
Segundo o semanário, “este comportamento evidenciado, visa somente criar situações adversas ao Estado e pôr em causa o processo de reconciliação entre os angolanos” A verdade é que o Estado angolano não precisa da ajuda do William Tonet, nem de ninguém, para estar em situações adversas. A actuação do Governo e da Presidência da República, por si só, é suficientemente adversa para o Estado. O que o Folha 8 faz é constatar.
O objectivo é que o Estado se torne cada vez menos o seu pior inimigo, tendo em conta a corrupção, incúria e incompetência que proliferam nas suas instituições, aliadas a uma incompreensível falta de abertura democrática do regime.
(*)Este artigo foi publicado no Alto Hama (http://altohama.blogspot.com) a quem o NL agradece a autorização para a sua publicação integral. O título e o pós-título são da responsabilidade da Redacção do NL.