sábado, 26 de janeiro de 2008

Cheias podem esvaziar de vez Vale do Zambeze

As duas cheias consecutivas que assolaram o centro de Moçambique em 2007 e 2008 poderão culminar no êxodo de mais de 250 mil pessoas ao longo de todo o vale do Zambeze e na reconfiguração da região.
No ano passado, a alta das águas do rio Zambeze já provocou a deslocação de cerca de 160 mil pessoas na região. Este ano, a contagem oficial já supera as 90 mil. Estima-se que vivam no vale do Zambeze cerca de 260 mil pessoas.
Em sua maioria, os desabrigados pelas cheias - habitantes das zonas baixas ao longo do vale do rio Zambeze - foram acolhidos em locais designados pelas autoridades moçambicanas como "centros de reassentamento" (o termo "acomodação", usado no ano passado, foi abandonado por sugerir caráter transitório).
O objetivo do Governo moçambicano, segundo João Ribeiro, director-adjunto do Instituto Nacional de Gestão das Calamidades (INGC) de Moçambique, é motivar as pessoas transferidas para os centros de reassentamento a se fixarem definitivamente nesses locais e não voltarem às áreas de risco.
A intenção das autoridades moçambicanas é fazer destes locais uma espécie de novas localidades no mapa de Moçambique, com "pólos de reconstrução e de desenvolvimento" na região. Para isso, os recém-chegados recebem pedaços de terra.
Está sendo equacionada - em alguns locais, até executada - a substituição das tradicionais construções de madeira por habitações de tijolo, bem como o fomento de actividades que possibilitem um rendimento para a população, como agricultura e artesanato.
Tal como no ano passado, o maior desafio das autoridades moçambicanas é evitar o regresso em massa das milhares de pessoas que agora fogem das cheias do Zambeze (na maioria, pequenos agricultores de subsistência) às regiões baixas, às quais estão ligadas há várias gerações.
Nas partes mais baixas, a fertilidade da terra é superior à das zonas altas, onde se situam os centros de reassentamento.Há quem considere, como o padre espanhol Fernandez Prieto, responsável pela missão católica de Murraça, uma das zonas mais afectadas pelas cheias no vale do Zambeze, que este êxodo era evitável se houvesse uma gestão mais eficaz das descargas efectuadas pela barragem de Cahora Bassa.
"As cheias aqui não são por causa das chuvas, são só por causa de Cahora Bassa. Cahora Bassa quer estar sempre cheia. Se eles querem guardar tudo isso por causa do negócio da electricidade, então deveriam pagar as casas destruídas", diz o religioso.
"Se começa a chover e o rio sobe, a gente vê isso devagarzinho. Mas Cahora Bassa vem de repente, às vezes durante a noite. Não há tempo para tirar nada. Só agarrar as crianças", acrescenta.
Em Murraça desde 1967, o padre vai mais longe e afirma: "Isto é desejado, para tirar as pessoas dos seus lugares. Há uma intenção clara do Governo de tirar aquela gente toda dali".
Para o missionário a intenção é "expulsar os camponeses e dar as terras a empresas"."Isso não é verdade, nem no ano passado, nem este ano", refuta João Ribeiro, elogiando a hidroelétrica de Cahora Bassa pela gestão que tem feito das descargas de água em direção ao vale do Zambeze.

Cáritas Portuguesa ajuda vítimas das cheias

Face ao agravamento das condições de sobrevivência criado às populações do Vale da Zambézia devido ao recrudescimento das cheias, a Cáritas Portuguesa decidiu mandar transferir 25 000 Euros para a sua congénere moçambicana.

"Esta verba destina-se, essencialmente, a assegurar a prestação de cuidados básicos como são a alimentação, a saúde e a construção de abrigos temporários", refere comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

A importância agora dispendida resulta dos recursos próprios da Cáritas Portuguesa. Segundo a organização católica para a solidariedade e assistência humanitária, estes recursos "podem ser acrescidos com a solidariedade dos portugueses".
As contribuições podem ser feitas através da Caritas local ou em qualquer balcão da Caixa Geral de Depósitos na conta “Caritas Socorro Moçambique” NIB: 0035 0697 0059 7240 1302 8.

O número de pessoas deslocadas pelas cheias no vale do Zambeze, centro de Moçambique, elevou-se para 77 150, enquanto as descargas efectuadas pela barragem de Cahora Bassa estabilizaram.

128 policias alvo de processos-crime em 2007

Mais de 180 agentes da polícia moçambicana em serviço em Maputo foram alvo de processos em 2007, 86 dos quais relacionados com envolvimento em crimes, segundo um balanço da corporação. Dos 182 processos instaurados no ano passado, 96 referem-se a processos disciplinares, além dos 86 ligados a práticas criminosas.

No ano em referência, a Polícia da República de Moçambique (PRM) abriu contra os seus agentes 32 processos por desobediência, 21 por abandono do posto, nove por extorsão, quatro por roubo, três por extravio de armas de fogo, sete por embriaguês e um por furto.

Na sequência desses delitos, 21 agentes incorrem na pena de expulsão e dois de despromoção, segundo o relatório. Em 2001, a corporação perdeu em Maputo por morte 69 membros, contra 44 em 2006, dos quais 66 polícias e três do quadro técnico comum.

Entre os polícias que morreram, incluem-se 21 oficiais, 11 sargentos e 34 guardas. O balanço da PRM alusivo a 2007 indica ainda que nesse ano, a instituição registou 2.130 casos de violência doméstica, face a 1.899 em 2006, uma subida de 13 por cento.

Daquele total de vítimas de violência doméstica em 2007, 367 são do sexo feminino, 1.271 do sexo masculino e 492 crianças. Ainda no mesmo ano, a polícia deteve 6.752 indivíduos por suspeita de envolvimento no crime, 54 dos quais estrangeiros, incluindo cidadãos da Etiópia, Zimbabué, Tanzânia, Uganda, entre outras nacionalidades.

A voz, o talento e o carisma de Mingas na prevenção da Sida

A cantora Elisa Domingas Jamisse, a Mingas, é uma das mais cultuadas celebridades em Moçambique. A sua música, uma mistura de afro com destaque para ritmos de origem chope, do Sul do País, embalou plateias no mundo todo. Com uma trajectória sólida e reconhecida, tanto em trabalhos a solo quanto em parcerias com ícones como Miriam Makeba e Jimmy Dludlu, Mingas arrancou aplausos no mega concerto em comemoração dos seus 30 anos de carreira em Maputo, em Dezembro.
Mas o seu percurso coincide com o desenrolar de outro capítulo importante na história de Moçambique. Enquanto o País assistia ao desabrochar da jovem artista, a SIDA também começava a ganhar espaço.
A pandemia tem hoje pouco menos de 30 anos. Na época pouco sabia-se sobre o tópico. Mingas faz parte de uma geração de artistas que viu carreiras interrompidas precocemente por causa da Sida – segundo ela, por falta de informação.
A cantora notou a SIDA quando passou a participar de digressões internacionais, em 1987. A doença já havia atingido a comunidade artística na Europa. Músicos de outras nacionalidades perguntavam sobre a epidemia em África. “Foi aí que vimos que havia alguma coisa grave, mas não tínhamos acesso à informação. Nós não sabíamos de nada”, lembra.
Ela recorda-se que, quando voltava à sua terra natal e comentava o assunto, era encarada com incredulidade. “Muitos achavam que a SIDA era apenas uma história para que a população diminuísse o número de parceiros, ou comprasse mais preservativos, ou tivesse menos filhos”, conta.
Segundo Mingas, devido ao estilo de vida, artistas – músicos, artistas plásticos, actores, escritores – tornaram-se uma comunidade particularmente vulnerável ao HIV. “Pela natureza do nosso trabalho, somos rodeados de fãs, e muitos artistas descuidam-se, não se protegem. Perdemos vários músicos por causa da SIDA”, conta.
Com o avanço da epidemia, os artistas passaram a abordar o tema nas suas canções, telas e novelas. Porém, destacou Mingas, contraditoriamente esse engajamento no discurso não acompanhou a acção. “Muitos não conseguem diminuir o número de parceiros ou não praticam sexo seguro”, afirma.
“Nós participamos de campanhas, cantamos, escrevemos, mas ainda não mudamos o comportamento.” Uma das iniciativas para mudar essa situação foi a fundação, em Janeiro, do Fórum Artistas da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral Contra HIV e SIDA (SAAAF).
O SAAAF é resultado de uma declaração feita por artistas de Moçambique, Lesoto, Suazilândia, Zâmbia e Zimbábue num festival em Harare, Zimbábue, em Novembro de 2007. O Fórum fará pesquisa sobre HIV e SIDA e fornecerá dados sobre artistas a viver com a doença, além de criar uma rede de contactos com outras organizações de serviços para o HIV na região.
“Eu acho que mais pessoas e mais envolvimento para falar desse problema é o que é necessário”, diz Mingas. A nova instituição também abordará os governos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, a comunidade internacional e indivíduos para auxiliar os artistas a lidar com a pandemia e capacitar o comité executivo a alcançar os seus objectivos. Uma das tarefas do Fórum é encorajar todos os artistas a submeterem-se à testagem voluntária e garantir que eles recebam o apoio necessário.
“Os artistas não têm conseguido ajuda das organizações existentes”, disse o artista Setephen Chifunyise, porta-voz do Fórum. “Como resultado, muitos morreram em silêncio e isolamento, sem suporte dos seus colegas, organizações de arte e instituições que trabalham com HIV.”
Apesar dos esforços feitos em relação à SIDA em Moçambique, Mingas reclama das campanhas. “Algo está a falhar, porque os índices de contágio continuam altos em algumas regiões do país”, diz. “Devemos ´moçambicanizar´ as mensagens relacionadas à SIDA para que todos as percebam sem dificuldades.”
Por isso, ao ver a epidemia espalhar-se em Moçambique, resolveu colocar em prática o seu talento e usar a sua voz inconfundível para falar sobre o assunto. O alcance universal da música e o seu carisma como artista eram perfeitos para a tarefa. O seu engajamento rendeu-lhe em 2002 a participação no lançamento do CD Vidas Positivas, um projecto da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras, com a faixa solo Xini Xiku Kluphaku, cuja tradução é O que te preocupa na vida?.
A música, que ainda lhe rende elogios, havia sido escrita em 1997, mas só veio a ser gravada em 2002. É, nas palavras da própria Mingas, “um convite para que as pessoas se abram”. “Pensei nessa música porque o estigma é uma das coisas que mais mata. Queria dizer ´Por mais que o seu problema seja a Sida, abra-te, porque assim conseguimos prolongar os nossos dias de vida´”, conta.
Segundo ela, O que te preocupa na vida? sempre mexe com o público. “Todos se emocionam porque a maioria das famílias já perdeu alguém devido à SIDA”, conta. “É triste também, porque a música lembra que o problema existe de facto.”
Fonte: Plurinews

Sete dias e sete noites em hotéis Pestana

A Entremares lançou programas de sete noites em Moçambique, em hotéis Pestana, combinando estadas em Maputo, com Inhaca e Bazaruto, e também com o Kruger Park, na África do Sul, válidos para as partidas de Lisboa, Porto ou Faro, pela TAP, ou de Lisboa e Porto pela LAM, de 1 a 29 de Fevereiro.
O operador propõe três noites no Pestana Kruger, no Kruger Park, e quatro noites no Pestana Rovuma, em Maputo, por 1.429 euros por pessoa, em duplo e regime APA.A Entremares propõe ainda cinco noites em Inhaca em regime MP, no Pestana Inhaca, e duas noites em Maputo, no Pestana Rovuma, em regime APA, por 1.483 euros, por pessoa, em duplo, e cinco noites no Pestana Bazaruto, em Bazaruto, em regime PC, e duas noites no Pestana Rovuma, em Maputo, em regime APA por 2.110 euros por pessoa, em duplo.
As “actividades incluídas em Inhaca” são “uso de pranchas de windsurf, canoas e “hobbie cats” com um barco de apoio de prevenção, um snorkeling à estação biológica, transporte diário à Ilha dos Portugueses (praia deserta com água quente e cristalina), uma lição de ski aquático (30 m)”.
As “actividades incluídas em Bazaruto” são “um snorkeling diário em Coral Gardens, transporte grátis a Dolphin Bay com as suas praias de areia branca e águas turquesa, uso gratuito de pranchas de windsurf, canoas e “Hobbie cats” com um barco de apoio de prevenção, uma lição de ski aquático com a duração de 30 minutos, por estadia, uma viagem de body-surfing a Three Trees Beach, por estadia – acompanhado de um instrutor qualificado”.

PIB cresceu acima do previsto

A economia moçambicana deverá ter registado em 2007 um crescimento superior aos 7,6 por cento inicialmente previstos, afirmou recentemente em Maputo o governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove.
Na sessão de abertura do 32º Conselho Consultivo do Banco de Moçambique, Gove disse que os dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas relativos ao período de Janeiro a Setembro de 2007 revelam que a economia cresceu 7,6 por cento."Um tal número permite-nos antever que, terminada a avaliação geral, a economia terá crescido em 2007 acima do projectado", enfatizou o governador do Banco de Moçambique.
O governo definiu para 2007 uma meta de sete por cento para o crescimento do PIB, uma inflação média anual de 6,4 por cento e um nível de reservas internacionais capazes de sustentar cerca de cinco meses de importações de bens e serviços.
Apesar de um desempenho relativamente positivo, a economia moçambicana sofreu os efeitos da alta de preços do petróleo e de cereais básicos no mercado internacional, com impacto negativo ao nível da balança de pagamento e nos indicadores da inflação, destacou o governador do Banco de Moçambique.
Mas esse quadro menos positivo não impediu que a moeda nacional, o metical, registasse uma apreciação nos últimos meses do ano em relação às grandes moedas estrangeiras em circulação em Moçambique, nomeadamente o dólar e o rand.
Já no mercado monetário, as taxas de juro conheceram ligeiras reduções, como resultado da injecção de capital à economia, que foram superiores a 2006, acrescentou Ernesto Gove.

Paes do Amaral negoceia compra de canal de televisão

O empresário português Paes do Amaral está a negociar a compra de uma parte das acções da Televisão Independente de Moçambique (TIM), disse recentemente Bruno Morgado, presidente do canal.
"Estamos em contactos directos com Paes do Amaral, para explorar a possibilidade de ele comprar uma parte da TIM, estamos ainda a negociar, não está nada fechado", disse Morgado, desmentindo notícias veiculadas em Maputo de que o ex-patrão da TVI terá já adquirido 60 por cento da TIM ao preço de 750 mil dólares.
"No quadro da actual lei moçambicana sobre a propriedade das empresas de comunicação social, não seria possível que Paes do Amaral ficasse com 60 por cento de uma televisão moçambicana, porque os estrangeiros não podem ter mais do que 20 por cento de acções de uma empresa de media no país", enfatizou o presidente da TIM.
Paralelamente, os accionistas moçambicanos da TIM estão também em contactos com outros grupos estrangeiros, para a possibilidade de parcerias com o canal moçambicano. "Estamos à procura de um parceiro forte para a TIM, porque isso é vital para os nossos projectos de desenvolvimento e Paes do Amaral é em qualquer caso um parceiro forte", sublinhou.
A TIM é um canal em sinal aberto criado há cerca de três anos e apenas visto na capital moçambicana, sendo a reestruturação accionista parte da sua estratégia de expansão para o resto do território moçambicano, sobretudo, para as principais cidades do país.